Enquanto ouço o ‘MTV Unplugged’ do Oasis, tento relembrar o motivo de um dia eu ter gostado tanto deles. Talvez tenha sido a arrogância dos Gallagher, que reverberava em mim num momento que eu também era muito arrogante. Duvido que tenha sido mais do que a música. Acredito que tenham sido aqueles três primeiros discos: “Definitely Maybe”, “What’s The Story” e “Be Here Now”.

Um era porrada, puro rock’n'roll, visceral. Urgente. Como eu também era. O segundo um pouco menos visceral. Igualmente urgente. O terceiro uma mistura de influências. E eles morreram pra mim. Veio o “Standing On The Shoulders Of Giants”, o “Heathen Chemistry” e este “Don’t Believe The Truth” e tenho a impressão de que são fantasmas de si mesmos.

A arrogância, que deveria ser um combustível menos volátil com o passar do tempo, ficou chata. E as músicas novas não me emocionavam mais. Nem eles, nem a arrogância, nem nada. Aí a gente pára de comprar os discos e quando pega algo para ouvir como o acústico, com eles em plena forma, lembra que certas bandas deveriam acabar quando estivessem no auge. Para não correr risco de virar fantasmas de si próprios.

E eu sei que o Noel Gallagher me daria porrada se lesse isso. Mas é a real. Eles são as melhores lembranças da minha adolescência e me dói - pouco, mas dói - vê-los como tios fazendo shows com os hits de dez anos atrás. ‘Layla’, ‘Little By Little’ e ‘Stop Crying Your Heart Out’ não contam, são dispensáveis.

Oasis - The Masterplan